Em 1998 o desenhista de quadrinhos canadense Todd McFarlane comprou uma bola de beisebol pela bagatela de 3 milhões de dólares. É, isso mesmo: US$ 3 milhões por uma bolinha de borracha. Tudo porque ela tinha sido usada no último jogo em que Mark McGwire anotou 70 home runs (aquela coisa de a bolinha sair voando pra fora do estádio), vencendo o jejum de um novo recorde que já durava 27 anos.
Porém, no ano de 2001, um tal de Barry Bonds superou a marca desse McGwire, registrando 73 home runs na temporada. Com isso, o valor da bolinha do desenhista-colecionador se desvalorizou enormemente, passando de US$ 3 milhões para somente US$ 5. É, cinco dólares. Só isso. Porque agora havia um novo recordista e uma nova bolinha milagrosa. Essa, então, é que era a bola da vez, a bola boa; a outra… coitada, tornou-se apenas aquilo que sempre foi: uma bola. Mas, por quanto tempo esse novo amuleto continuará valendo seus milhões e resistirá a um novo recorde: cinco anos? Dois? Seis meses? Três, quem sabe?
No passado eu apostei minhas fichas em muitas coisas: trabalho, estudos no exterior, igreja, namoradas, um lindo carrão, casamento, minha própria empresa, uma boa poupança para garantir o futuro — essas coisas com as quais quase todo mundo se preocupa. Tal como o quadrinista canadense, pensava que poderia ter um trunfo em mãos, alguma coisa que pudesse me catapultar à condição de pessoa importante e detentora de algo de real valor, não me interessando o que fosse. Pensava também que poderia me expor mais aos flashs dos jornais ou às câmeras de TV — afinal, sou do ramo e lido todo dia com isso — para me notarem mais, para gostarem mais de mim, para ter mais e mais pessoas por perto, a fim de que minha auto-estima se mantivesse num bom patamar e a minha vida tivesse sentido. É, já pensei coisas assim.
Agora, porém, penso no que o mister Todd está sentindo. Tem em mãos uma bola de cinco dólares que já valeu 3 milhões e não sabe o que fazer com ela. Bem, ele pode não saber, mas o Bonds que marcou os tais 73 home runs saberia; e como! Assim como uma bola de basquete nas minhas mãos não vale mais do que uns trinta reais, ao passo que vale alguns milhões de dólares nas mãos do Michael Jordan, ou como uma bola de tênis na minhas mãos vale apenas uns dez reais, mas, nas mãos do Guga…
Tênis, basquete, beisebol — ora, bolas, tudo isso tem valor nas mãos das pessoas certas, mas nenhum nas minhas. Porque não sou do ramo e nada entendo disso. E assim é, parece-me, com a minha vida: não tem nenhum valor quando confiada apenas aos meus cuidados, pois nada sei sobre o dia de amanhã e sequer se vou estar vivo hoje à noite. Porém, nas mãos de Deus — as mãos certas —, tem um valor incalculável. De fato, às vezes me levanto até com uma certa dificuldade, pois nem todos os dias são alegres e bons, e nesses não consigo sequer passar por perto daquilo que seria a realidade concreta da minha vida: um ser amado por Jesus, salvo por Ele, com um destino garantido nesta e na outra vida, que é vencer e desfrutar da plenitude que Ele conquistou pra mim na cruz. Nessa hora, quando por mim mesmo quero dar sentido à minha existência, sou como a bola de 3 milhões nas mãos do quadrinista: valho muito pouco. Nas mãos certas, porém, valho bilhões, trilhões. A própria bíblia diz que uma alma vale mais do que o mundo inteiro! (Quanto será que valho, então?)
Há gente que gasta todos os seus dias acreditando ser apenas uma bolinha de cinco, sem se aperceber do valor que ela teria nas mãos de Deus. Eu mesmo já disse que gastei muito tempo vivendo uma vida boba e insossa, até o dia em que a entreguei nas mãos do exímio campeão, o que vence sempre, o que detona as adversidades das nossas vidas. Hoje estou com a bola toda, cheio de sentido no que faço, e a “minha bolinha de cinco” agora está valendo uma nota preta. Ao ponto de o próprio filho de Deus entrar literalmente no braço com o diabo para disputar a sua posse. Por minha causa. Dá pra acreditar?
Se você anda se sentindo péssimo, caído, querendo fazer aquelas coisas que a gente só vê em filmes, baixe a bola. Melhor: entregue-a pra Jesus. Dê de verdade a sua vida, de recibo passado, e nunca mais queira saber o que Ele vai fazer com ela. Esqueça o teu futuro, a arena em que acabou se transformando o teu campinho, o sofrimento horroroso que a sociedade te impôs para te proclamar “vencedor” — essas bobagens todas. Saiba, a vida é curta e o campo, enorme. Poucos, nela, conseguem fazer home runs com facilidade. E, quando o fazem, a glória, como você bem me leu, não dura muito.
Amanhã cedo você irá se levantar da cama. O “jogo” irá recomeçar em mais um dia de trabalho. A bola será lançada em direção a você, o rebatedor. Você não pode errar, dizem os outros. E aí, vai tentar acertar? Olha, quer um conselho? Tire as luvas, pegue o boné e chame Jesus para assumir essa tarefa: é mais garantido. Ele não erra nunca e vai converter em muitos pontos a tua tacada. Só fique apreciando, do banco, Ele fazer tudo aquilo que te parece difícil conseguir. Pra ele é moleza, fácil demais. Basta entregar-lhe o bastão. Eu entreguei. E hoje estou na arquibancada, torcendo e vibrando por Aquele que vence sempre. E comendo pipoca com guaraná. Quer vida melhor?