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dez
10

Nome novo, receita antiga

Entrarei em férias, por isso o Toque Divino retorna apenas em 14 de janeiro.

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A revista trazia estampado na capa o tema do mês: “Por que você pode perder o emprego”. Li o artigo todo, coloquei-me no lugar de empresários que demitem e dos funcionários que são demitidos. Chamou-me a atenção o fato de quase 50% das empresas brasileiras esconderem do demitido a real causa pela qual o estão mandando embora. De fato, não é fácil falar a verdade, e especialmente num momento em que o funcionário está tão fragilizado pelo choque da situação. Como dizer-lhe que está sendo demitido porque não se relaciona bem com os colegas da empresa? Ou porque, apesar de seus muitos diplomas e cursos, sua fragilidade consiste exatamente em ter muito interesse pelo trabalho e pouco por aqueles que o cercam? Eu mesmo, certa vez, demiti um excelente designer pelo único fato de que vivia num mundo à parte dentro da empresa, criando barreiras intransponíveis de relacionamento. Um bloco de gelo não seria tão frio.

Bem, para ser sincero, o artigo causou-me alegria. Tenho usado o espaço destas mensagens há anos para dizer que uma pessoa vale por aquilo que é — exatamente por ser uma pessoa — e não pelos bens intelectuais ou patrimoniais que possui. Para Deus, um bárbaro criminoso tem tanto valor quanto um honrado e religioso chefe de família, ou um sacerdote ou um pastor ou um grande empresário cristão. A Bíblia indaga: “De que adianta você conquistar o mundo inteiro se vier a perder a tua alma?” [Marcos 8:36]. Há quem dê outra inflexão à frase e a cite assim: “Uma alma vale mais do que o mundo inteiro”. Não é esta razão — a da valorização humana — a mais forte pela qual as cruzadas cristãs dentro das prisões de segurança máxima têm obtido conversões profundas e contundentes?

O afeto está em alta. Nunca se falou nele como agora. Talvez porque nunca foi tão necessário. Para muitos, ser bem tratado por um balconista, gerente de banco ou motorista de ônibus está sendo uma grande novidade. Ficam realmente maravilhados ao receberem informações rápidas e gentis através dos serviços 0-800 de atendimento ao cliente. Mas, é técnico, é marketing, é “para manter clientes”. Não é amor, é apenas um tratamento no nível que a pessoa gosta e exige. Mas, convenhamos, ser bem tratado é uma delícia, não é? Porém, Jesus já falava nisso há 2.000 anos atrás; marketing é só um nome novo para a Sua antiga receita: “Faça ao próximo o que deseja para si mesmo”. Ora, ser bem tratado é uma coisa que todos desejam? Pois que se tratem bem as pessoas, diz o “marketeiro”. Mas, e se alguém dentro da empresa se negar a desenvolver relacionamentos com os clientes ou com os colegas, o que acontece com ele? Vai embora, diz a revista. Sério, não? O mundo ficou tão sem amor e a vida tão sem sentido que hoje as pessoas se veem obrigadas a tratar bem os outros. Ou ganham a conta.

Felizmente, no cristianismo não é assim. Ninguém é obrigado a nada. Todos são livres perante Deus para fazer o que quiserem. Por isso mesmo, diz o apóstolo Paulo, ninguém pode se gabar de ter merecido algo da parte de Deus por suas próprias ações. Se recebeu, recebeu porque Deus é bom. Sem honrarias ou menções especiais. Um João Batista é tão importante para Deus quanto o ladrão convertido na cruz. Ambos se tornaram filhos “por adesão”, isto é, porque se tornaram irmãos de Jesus, o Seu filho. E isto porque Jesus é quem “quebrou o nosso galho” diante do Pai, “limpando a barra” e abrindo-nos as portas para a eternidade.

Daí podemos tirar duas lições. Primeira: se você está meio santo, tipo João Batista, não se preocupe: seu lugar no céu está garantido; e se está mais para o ladrão na cruz — aquele que se arrependeu, e não o que zombou de Jesus — seu lugar também está assegurado, desde que você se reconheça pecador, arrependa-se verdadeiramente de seus maus propósitos e mude de vida. Segunda: a de que nós, que facilmente ficamos impressionados pelo marketing de relacionamento das empresas onde fazemos compras, nem imaginamos o que pode ser a vida com Deus que nos aguarda, uma vez que das empresas recebemos um bom tratamento porque delas compramos, mas a Deus nada demos ou Lhe fizemos para que nos tornássemos dignos de receber algo de Sua parte. Ou seja, partindo dEle, é amor mesmo, gratuito, sem compras ou sem nada a nos pedir ou cobrar. Os criminosos de alta periculosidade poderiam responder: se Deus não os aceitasse porque Ele é bom, por qual razão perdoaria pessoas hodiendas aos olhos da humanidade?

O natal está chegando. E o ano novo também. Aproveite e renove a tua esperança nesse Deus maravilhoso, pondo pra quebrar em 2012. Ore mais, cante mais, confie mais, espere mais, ame mais os que estão à tua volta e faça diferença na vida dos outros: junte um clips do chão; tire os cabelos do ralo do chuveiro e jogue-os na lixeira; apague as luzes quando não houver pessoas no aposento; não estacione em vaga para deficientes ou idosos; respeite a velocidade no trânsito; não pare em fila dupla; deixe que um veículo saindo do estacionamento passe à tua frente; dê a vez no supermercado a alguém que está aflito por causa do horário e tem menos compras na cesta ou no carrinho que você; desligue o monitor do micro quando tocar o telefone; faça silêncio profundo ao ter que ouvir uma pessoa que você não admira e a ouça bem, do teu mais profundo, sem nada falar — coisas assim. Só orar não vai fazer diferença; é o teu agir que mudará a ordem das coisas. Se pessoas furam fila no trânsito ou xingam quem não merece e você faz o mesmo, que diferença você faz? E se muitos apenas falam mal e criticam os outros e você os imita, que diferença você faz? Isso é papel do diabo (diabo = do grego diabolos, acusador).

Deus te ama. E o natal só renova a mensagem bimilenar desta verdade: Jesus nasceu e morreu para que você vivesse em paz aqui na Terra e, quando morresse, fosse feliz no céu. O resto é enganação: papai noel, presentes, árvore natalina… É coisa da mídia, de alguém que um dia, lá num país cheio de neve, que nada tem a ver conosco, inventou para alegrar alguém e a coisa ganhou o mundo. “Ah, Cezar, como você é frio!”, você pode dizer. Bem, pode ser, mas que tudo isso é frescura, isso é. Imagine aparecer alguém na estrebaria onde Jesus nasceu, vestido de vermelho e branco naquele calor horrível, e rir: “Ô, ô, ô”. Ridículo, pra dizer o mínimo. Maria e José olhariam para ele e se perguntariam: “E este aí, de que planeta caiu?”.

Quer dar presente? Dê, pois os três reis deram presentes a Jesus ao visitá-Lo. Vai chorar no fim do ano? Chore, Jesus também chorava. Vai fazer ceia da meia-noite? Faça, mas não se entupa de comida e champanhe, isso não faz bem e você pode passar a noite em claro. Enfim, se é festa o que você quer, festeje. Deus é o maior festeiro que eu já conheci e a Bíblia prova isso com as inúmeras festas que Ele mesmo criou para o Seu povo. Mas, entenda que nada disso é natal. Natal é o amor entre nós, e se a Bíblia diz que Deus é amor e que Jesus veio conviver com a humanidade, então o amor veio nEle e com Ele. E o natal é só isso. O resto é enfeite. Por isso mesmo, não confunda natal com presentes. Natal = Jesus; presentes = papai noel. Há uma enorme diferença. E Deus quer mais que você ensine teus filhos quanto a isso, explicando-lhes a verdadeira diferença entre uma coisa e outra. Ah, notou a palavra “diferença” outra vez? Pois é, você pode fazê-la neste natal e no ano novo inteiro. Basta querer.

O amor está em alta. O afeto, idem. Aproveite pra pôr o teu coração em ordem e abrace, beije, ria, cante, louve, adore quem que te criou, e não apenas no natal e ano novo, mas em 2012 inteiro. Porque Deus está entre nós.

dez
03

Rute e Ester — uma reflexão

Se você tem um pouco de intimidade com a Bíblia, então já deve ter ouvido falar ou mesmo lido os livros de Rute e Ester. São as duas únicas mulheres a emprestarem seus nomes para intitular livros na Bíblia pelo menos, na evangélica. A católica tem o de Judite.

A história de Rute inicia com a de sua sogra, Noemi, uma mulher judia que migrou para o território dos moabitas com seu marido porque ambos estavam passando fome na região de Judá. O marido de Noemi, que se chamava Abimeleque, veio a falecer, ficando a pobrezinha com os dois filhos, os quais se casaram com duas moabitas. Mas, logo morreram também os filhos. E a viúva, desgostosa, decidiu voltar à terra de Judá, onde tinha parentes. Rute, uma das noras, foi com ela, para não deixá-la ir sozinha, mesmo contra a vontade da sogra. Noemi tinha um parente do marido em Judá, chamado Boaz, o qual era muito rico, bondoso e temente a Deus, admirado e respeitado por sua conduta. Rute foi ao campo para juntar do chão as sobras que caíam das mãos dos homens que faziam a colheita e acabou entrando nas terras de Boaz. Este veio ter com ela e disse-lhe que podia colher do chão, e que nenhum empregado seu a incomodaria. Depois, mandou que lhe dessem uns bons feixes de cereal. Conversa vai, conversa vem, os dois aproximaram-se e Noemi sugeriu que a nora se casasse com Boaz. Uma vez casados, logo lhes nasceu um filho, e a sogra Noemi em tudo passa a ajudar a nora Rute. E todos que as conheciam as chamavam de bem-aventuradas. E diziam a Boaz: tu és um homem de sorte!

Já a história de Ester inicia-se com uma festa que o então poderoso rei Assuero (ou Xerxes) oferece aos príncipes e governadores das suas 127 províncias, que iam da Índia à Etiópia. O rei estava alegre porque havia bebido muito vinho e mandou chamar a rainha Vasti, para que todos conhecessem a sua formosura. Mas, ela desobedeceu a ordem e não apareceu. O rei, furioso, destronou a rainha e mandou encontrar uma outra. Depois de dar busca em todo o reino, Ester, uma judia, foi a escolhida. Seu pai adotivo, Mordecai, foi com ela. E andando um dia pelo palácio, Mordecai ouviu que queriam matar o rei. Conta para Ester, que conta para o rei, e os traidores são mortos. Aí, o rei elege um novo chefe da segurança, um tal de Hamã. E por sugestão do próprio, cria um decreto mandando todo mundo se ajoelhar diante desse Hamã quando ele passasse. Mordecai, que era judeu, se recusou a honrá-lo. Hamã então decide matar Mordecai por causa disso; depois, pensa melhor e decide matar também todo o povo dele no reino, conseguindo, por meio de artifícios, um decreto real autorizando-o a fazê-lo. Ester faz chegar essa notícia ao seu povo e cria um plano para salvá-lo, indo até a presença do rei. Para tanto, convida-o e também a Hamã para uma festa em seu palácio. Na festa, o rei bebe bastante e diz: “Peça-me o que quiseres, Ester, e eu te darei”. Ester conta que queria a morte de um subordinado do rei que estava tentando matar todo o povo de onde ela tinha vindo. O rei pergunta quem é essa pessoa. Ester diz que é Hamã. O rei fica nervoso e sai para a varanda. Hamã, tendo ouvido a conversa, pois estava próximo dos dois, vendo a morte por perto, aproveita ao ver que o rei saiu para a varanda e joga-se sobre o sofá da rainha a fim de pedir-lhe clemência e, sem querer, cai sobre ela. O rei volta da varanda e vê a cena. Então diz: “Além de querer matar o povo da minha esposa, ainda está querendo tocá-la?”. No fim das contas Hamã, por ordem do rei, morreu na forca que mandara preparar para Mordecai, o pai adotivo de Ester, o qual passou a ser o segundo no reino depois do rei. E Ester ficou no trono com Assuero.

Amados, um dia li esses dois livros um em seguida do outro e, emoções à parte (os livros são apaixonantes), analisei algumas situações, tal como o nosso próprio Deus recomenda: “Medite na minha palavra”. Gostaria de falar a respeito das curiosidades que deles extraí. Claro, não são críticas, são reflexões, pois não questiono a Palavra de Deus: o que está lá, está lá e pronto. Isso não discuto e muito menos julgo. Mas, que me fizeram pensar, isso fizeram.

Ester teve bastante: pai adotivo no lugar do que morrera, depois riqueza, poder e prestígio, e dela não mais se fala. Já Rute perdeu o marido, o cunhado e o sogro e, depois de rastejar na lavoura atrás de comida, ainda constou na árvore genealógica hebraica como avó do rei Davi e antepassada de Jesus. Nos dez capítulos de Ester, o nome de Deus não aparece sequer uma vez, enquanto que o do rei pagão Assuero é mencionado mais de 150 vezes; também não há alusão à oração nem a nenhum tipo de serviço espiritual, exceto o do jejum. Já no livro de Rute o nome de Deus aparece 21 vezes. Ester conhecia a Deus, mas casou-se com um gentio; Rute era gentia e se casou com um judeu. Rute era elogiada por sua humildade e amor à sogra; Ester, por ter-se tornado rainha. No final, existe o fato comum de que ambas ficaram bem, pois os dois maridos eram ricos e poderosos.

Às vezes, lendo ou ouvindo a Palavra, somos tomados pela emoção do momento e deixamo-nos levar por mil pensamentos. Tendemos a dar mais valor a histórias como a de Ester do que às de Rute. A da primeira tem mais charme, mais status, mais… “tchan”. A da segunda, bem, essa é igual à da maioria das pessoas: dor, solidão, pobreza, e lá no fim alguém que aparece, se apieda e dá um jeito nas coisas.

Muitas vidas cristãs têm lindas e emocionantes histórias a relatar, mas, às vezes, o nome de Deus não aparece nelas. Basta ouvir pessoas contar de como foram salvas de um acidente, de como receberam um dinheiro praticamente perdido justo na hora em que mais necessitavam, de um filho que passou no vestibular de medicina sem que se saiba como, etc.: em seus lábios, muitas vezes, não aparecem as palavras “Deus”, “milagre” ou “graça”, da mesma forma que o livro de Ester não cita Deus. Muitos acham que as bênçãos recebidas são obra do acaso, uma coincidência, digamos. Claro, Ester era judia, seu pai adotivo também, e ambos tudo fizeram para que Jeová, o deus dos hebreus, fosse honrado. Entretanto, não é disso que falo. Falo de um livro que, curiosamente, não cita Deus, da mesma forma que algumas vidas não o fazem, mesmo quando se sabe que, por detrás de todo aquele bem-estar, daquela paz, daqueles filhos inteligentes e saudáveis, daquele casamento feliz, está a mão de Deus. “Sem mim,” dizia Jesus, “nada podeis fazer” [João 15:5]. As pessoas não falam, mas sem Jesus na causa, nada dessas boas coisas lhes aconteceriam.

Vamos a fatos mais corriqueiros. Digamos que você seja cristão e em casa ore à mesa antes das refeições, dando graças a Deus pelo alimento recebido. Imagine-se agora num restaurante. Você é empresário, está de terno e gravata e há outros colegas empresários em tua mesa. É um almoço de negócios. Eles não são cristãos; ou pelo menos suas atitudes nunca revelaram isso. No instante de levar a garfo à boca, o Espírito Santo te recorda que você não agradeceu a Deus pelo gostoso almoço que te espera. Você para e pensa: “Oro ou não oro? Fecho os olhos e agradeço na cara dura, como sempre faço em casa com as crianças, ou entro na deles, deixando quieto e começando a comer?”. Bem, o que você faria eu não sei. Te digo o que eu faço: fecho os olhos, inclino a cabeça e agradeço a Deus em silêncio. Às vezes, quando estou com apenas um ou dois empresários, sou mais ousado e peço a ambos para orarmos antes de comer. Meio sem entender, concordam, claro. Aí, digo algumas palavras de agradecimento e pronto, começamos a comer. Não raro, os garçons que chegam naquele momento para perguntar-nos sobre o que desejamos beber oram junto, ou apenas silenciam. Isso faz diferença nos meus relacionamentos comerciais: de um instante para outro, o tom da conversa muda e as pessoas com as quais estou, já notei, passam a tratar-me com mais respeito.

Sabe, você não pode envergonhar-se de Deus diante dos outros. Jesus disse que se isso acontecer, Ele também se envergonhará de você no dia do juízo final e você irá para o inferno [Lucas 9:26]. Claro, não precisa subir na mesa e gritar que está agradecido a Ele pela refeição: você não é um bobo, um tolo. Mas, se Ele pediu [ou mandou?] que o amássemos acima de todas as coisas e pessoas [Deuteronômio 6:5], então demonstre isso.

Entende agora por que a comparação entre os dois livros me deixou pensativo? Foi porque me perguntei: e no livro da minha vida, quantas vezes o nome de Deus aparece? E de que forma? As pessoas O percebem na minha vida? Os textos que escrevo demonstram que Ele realmente age em mim? E com você: a palavra “Deus” é perceptível como no livro de Rute ou é invisível, oculta, como no livro de Ester? Ambas eram mulheres de Deus, talvez como você seja. Mas, o nome de Deus está estampado nesse teu livro? Está claro, visível? Podem falar da tua vida a céu aberto, tal como falou a sunamita sobre o profeta Eliseu: “Lá vai um santo homem de Deus”? [2 Reis 4:9]. Ou o nosso cristianismo é subliminar, acobertado, não-aparente, não-visível?

Conheço algumas pessoas que se dizem cristãs, possuidoras de máquinas possantes, as quais, quando viajam em rodovias sem muitos veículos, tipo as do interior do Mato Grosso, andam a 200, 220, 230 km/hora. Dizem que “se não andarem naquela velocidade, os outros passam por cima deles”. Até onde eu sei, o máximo que se pode trafegar em estradas no Brasil é a 120 km/hora. Um pastor disse-me esta semana que, de tanto me ouvir falar em obediência a Deus e às autoridades, nunca enxergou tanta placa de 30, 40, 60, 80 km/hora. Antes, andava na velocidade que queria. Agora, anda naquela que a lei manda. Bem, não sei como você anda. Talvez você nem carro tenha, ou não dirija. Mas, se quiser saber a quantas anda o teu amor por Deus, pergunte a você mesmo: se fossem escrever um livro a teu respeito após tua morte, você acha que o biógrafo citaria o nome de Jesus — o nosso Deus por excelência — quantas vezes? Ou nem O citaria? As pessoas sabem que você é cristão? Você age como um? Notam que você é diferente, que não fura fila do supermercado ou do coletivo urbano, e que anda na contracorrente, na contramão do mundo?

Se não anda, não se apavore: ainda dá tempo. O livro é o da tua vida; e o escritor, você. Nesse teu livro ninguém põe o dedo nem a caneta, a não ser você. Mesmo Deus não interfere nele, pois senão você não seria livre para fazer o que quiser. Amar a Deus é uma opção, não uma obrigação. E é por isso — por sermos totalmente livres — que somos totalmente responsáveis pela nossa salvação. Jesus já morreu por nós e deu-nos o céu. Chegar até lá é tarefa nossa, não dEle. “Ah, Ele se foi e deixou-nos aqui sozinhos”, você pode alegar. Não é verdade. Ele deixou-nos o Espírito Santo, o consolador, o cheio-de-poder, aquele que veio do céu apenas para nos ajudar a chegar a ele. Mas, como eu dizia, ainda dá tempo de começar a escrever “Jesus Meu Salvador” em tuas páginas. Se os livros de Rute e Ester começaram de forma muito diferente — o primeiro com muito sofrimento e o segundo com muita prosperidade —, no final eles terminaram de forma idêntica: relatando o sucesso de ambas em todas as áreas de suas vidas. O que nos incentiva a dizer que, não importando como seja a tua vida hoje, estando o teu livro vazio ou repleto de menções a Jesus, sendo você um fraco na fé ou um guerreiro de Deus, tendo você começado há muito ou há pouco tempo, sofrendo bastante ou vivendo sem dificuldades, saiba que o amor de Deus passa por cima de tudo isso e te convida a gozar uma vida de paz aqui na Terra e de esplendor e alegria no céu. Porque, no fundo, não importa como nossas vidas começaram; importa, isso sim, o que delas fazemos e como elas terminarão. Jesus começou num cocho cheio de palhas e acabou no céu, à direita de Deus. Então, admitamos que Ele entende desse negócio de “chegar lá”. Basta entrar na escola dEle, tomar umas aulas e aprender o O-B-D-C, o alfabeto cristão. Obedecendo as suas ordens e ensinamentos, não tem erro: você já está com um pé no paraíso. O caderno e a caneta você já tem, inclusive um livro para anotações. O resto é com você.

E aí, vamos começar a escrever?

nov
26

O desafio

Transcorrera já um bom tempo desde que Deus conversara com ele, mas o tal bebê — a promessa que o Pai lhe havia feito — não nascia. E o tempo da espera, doloroso como ele só, breve produziria suas feridas. Dúvidas apareceriam tanto em seu coração como no da esposa. Na verdade, ela nunca poderia dar-lhe filhos, pois era estéril; e agora, já com a idade avançada, a probabilidade de ter um bebê era praticamente inexistente. A não ser, claro, por uma intervenção direta de Deus. Mas, isso já estava virando piada na vizinhança, pois o bebê por Ele prometido não chegava nunca. “O melhor”, talvez pensassem, “era esquecer a promessa, achar umas coisas para fazer e evitar conversar com conhecidos”, pois assim parariam de se angustiar.

A verdade é que esperar não é fácil. Muita água rolava por baixo da ponte enquanto o menino não nascia. Posso imaginar a pergunta após uma noite de amor do casal: “Será hoje?”, para depois constatar que não tinha sido. Enquanto isso, novas fraldas iam se somando ao monte de cueiros, panos-leves e delicados lençóis já existentes. Em que quantidade já estavam: cinquenta? cem? duzentos? E então, mais uma laçada no tear, e a cada nó do tricô, um suspiro renovando a esperança, chegando adubo naquela certeza que não podia morrer.

Mas, morreu. Desiludida em sentir o útero sempre vazio, Sara amarelou — como muitos de nós durante o tempo de espera — e desistiu do sonho. Talvez tivesse achado que Deus havia se esquecido dela, ou que Ele tinha coisas “mais importantes a fazer”. Presunções à parte, continuar crendo naquelas circunstâncias era um desafio. Aí, autorizou o marido a engravidar a escrava Agar para que o tal filho enfim chegasse. E foi o que ele fez.

Porém, fazer as coisas fora da vontade de Deus gera dores profundas e traz amargura à alma. Com Sara não foi diferente: logo a mãe do menino voltou-se contra ela, humilhando-a, e Sara viu-se forçada a pedir a Abraão que matasse a ambos, enviando-os sem nenhum amparo ao deserto. Não fosse a intervenção de Deus e os dois teriam morrido. E Abraão iria ficar mal na foto, pois Deus lhe havia dito: “Em ti serão benditas todas as nações [pessoas] da Terra”. E o que foi que Abraão fez? Mandou o menino e a sua mãe ao deserto para que morressem! Antes mesmo de nascer a primeira pessoa que daria início às grandes nações, Abraão já saiu matando. Literalmente.

Saiba, fora da vontade de Deus é bem isso o que acontece: destruímos tudo à nossa volta; quando não destruímos antes a nós mesmos. Sabe aquele lance de estar longe de Deus, sofrendo, corroendo-se por dentro, sem saber o que fazer da vida e com um cartão de crédito com muitos zeros de limite? Nessas horas, muitos “vão às compras”. Aplacam o vazio interior que só Deus pode preencher e se enchem de roupas desnecessárias, trocam de automóvel, de home theater, de casa, de emprego, de marido, de esposa… Mas, apesar dessas caras façanhas, o vazio continua lá. Sara quis tampar o buraco interior induzindo o marido a engravidar a escrava para ter nos braços um menino que pudesse chamar de seu; mas, depois que o menino nasceu, o vazio continuou. Então, resolveu descartar o carro velho, digo, o sonho que não deu certo: insistiu e insistiu até que o marido a autorizou a mandar o menino e a mãe ao deserto para morrerem.

Mas, como Deus sempre cumpre o prometido, os que dEle duvidam cedo ou tarde acabam tendo de refazer seus conceitos acerca da Sua fidelidade. Primeiro Ele salvou Agar e Ismael e prometeu fazer dele um grande povo. Não estava em Seus planos gerar um povo através desse menino não desejado por Ele, mas, como havia dito a Abraão que nele seriam benditas todas as pessoas da Terra — e aquele menino era descendente de Abraão —, então Deus o abençoou. E assim, segundo a Bíblia, nasceram os árabes.

Depois, passado um tempo, Ele enviou anjos para dizer novamente a Sara e a Abraão que um menino realmente iria lhes nascer. Mas, ela riu em sinal de deboche; não cria mais. Nem ele. Se cresse, não teria engravidado Agar. Porém, 16 anos depois do nascimento do primeiro filho, daquele que não era para ter nascido, Isaque chegou. E a promessa enfim se cumpriu. De nada adiantou o não crer, o riso-deboche, o filho gerado debaixo do estigma da incredulidade. O plano de Deus, mais uma vez, triunfou!

Muitos de nós somos assim: lemos a Palavra, entusiasmamo-nos com ela, vamos à igreja, oramos, jejuamos e tecemos lindas peças em nossos teares espirituais à espera do cumprimento das promessas, mas, como elas às vezes demoram para acontecer e o filho continua viciado, o marido continua adulterando, a esposa continua deprimida e o arrimo do lar desempregado, o jeito é achar uma outra solução — fazer a coisa do nosso modo — como Sara fez e pronto! Aí, por causa da dúvida, começamos a afrouxar no tempo dedicado à oração, a dormir até mais tarde por pura preguiça, a abandonar os compromissos assumidos, a não ler mais a Palavra e acabamos por nos perder. Em vez de olharmos para Cristo, nossa esperança, fazemos como Pedro ao sair do barco e começar a andar sobre o mar: fixamos o olhar apenas nas circunstâncias e afundamos. E Jesus se vê obrigado a vir nos estender a mão para que não morramos e nos percamos: “Homem de pouca fé, por que duvidaste?”. Portanto, não dê uma de Sara ou uma de Abrão e continue firme na espera. Não se desespere. Desespero vem de des-esperança, “sem esperança”. Quem não sonha ou perde a esperança entra em desespero. Eu espero há 18 anos o cumprimento de uma promessa de Deus (já está quase no mesmo tempo em que Abraão esperou Isaque), e Ele está sempre me dizendo através de outras pessoas: “Filho, calma. Eu não esqueci de você. Ainda não chegou a tua hora”. Às vezes sofro, às vezes choro, às vezes canso de esperar. Mas, depois me recomponho e visto novamente a minha veste de fé e prossigo, fiel Àquele que prometeu.

Bem, nós até podemos esquecer (será que conseguimos?) que Deus um dia nos prometeu isso e mais aquilo, mas Ele não esquece jamais! Pode ser demorado para nós, mas para Ele as coisas vêm no tempo certo. Esse negócio de dizer que “Deus tarda mas não falha” e que “Deus escreve certo por linhas tortas” é errado. Deus é um Deus “da hora”, como diz a moçada, um Deus que não se atrasa e que sempre escreve certo por linhas certas. E depois, nunca é demais dizer que Ele não é nosso empregado para atender-nos quando queremos, mas um pai amoroso e dedicado que atende a cada prece dentro de um propósito claro e específico. Crer nisso e esperar é confiar em Seu caráter, é crer que Ele não é mentiroso, alguém que não se alegra em nos negar coisas e realizações, mas no inverso. Jesus disse: “Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa” [João 16:24]. Então, dar faz parte do Seu jeitão, da Sua pessoa.

Sara riu duas vezes: a primeira, quando o anjo falou do menino e ela duvidou; e a segunda, com certeza, quando ele nasceu. Que nós possamos rir sempre, certos de que Aquele que prometeu haverá de cumprir integralmente o prometido. Passarão os céus e a terra, mas a Sua palavra não passará. Sara que o diga.

nov
19

Amar… é uma decisão!

Certa vez um jovem foi visitar um sábio e falou-lhe sobre as dúvidas que tinha a respeito de seus sentimentos por uma bela moça. O sábio escutou-o, olhou-o nos olhos e disse-lhe apenas uma coisa:
— Ame-a.Disse o rapaz:
— Mas, ainda tenho dúvidas…
— Ame-a —, disse-lhe novamente o sábio.
E, diante do desconcerto do jovem, depois de um breve silêncio, finalizou:
— Meu filho, amar é uma decisão, não um sentimento. Amar é dedicação e entrega. É um verbo, e o fruto dessa ação é o amor. O amor é como um exercício de jardinagem. Por isso, arranque o que faz mal, prepare o terreno, semeie, seja paciente, regue e cuide. E esteja sempre preparado, porque haverá pragas, secas e excesso de chuvas, mas nem por isso abandone o seu jardim. Ame, ou seja: aceite, valorize, respeite, dê afeto, ternura, admire e compreenda. Ou, simplesmente, ame.

Esta curta história carrega consigo uma das mais estupendas e, ao mesmo tempo, desconhecidas revelações: a gratuidade do amor. Não raro confunde-se amor com sexo, com gostar, com querer bem, com paixão, com genitalismo e com outros que tais. Mas, amor é amor. E só isso. O amor até pode incluir esses predicados, mas o inverso pode não ser verdadeiro. Você pode amar e, por isso, fazer sexo; mas pode fazer sexo sem amar, também. Por isso o sábio manda às favas as dúvidas do mancebo e diz-lhe simplesmente: ame. Santo Agostinho dizia: “Ame e faça o que te der na telha” (a “telha”, claro, é expressão minha).

Quando alguém desposa alguém, normalmente promete “amar-lhe até que a morte os separe”. Mas, seria bom que fosse explicado a essa pessoa que, na visão de Deus, selou-se um compromisso eterno — uma aliança, no falar bíblico — que jamais poderá se desfazer, a não ser pela morte. Então, o ir embora de casa porque “não te amo mais” ou porque “o amor acabou”, não existe. Na visão de Deus, nunca houve amor, então. Houve, isso sim, um sentimento, não uma atitude. Houve um desejo de fazer, mas nada foi feito. Houve uma promessa, mas não um ato. Alguém casou com outro alguém porque “gostava” dele, ou porque estava apaixonado, ou porque o outro era liiiiiiiiiindo, mas não casou porque o “amava”. Porque amar nada tem a ver com gostar.

Na verdade, quando alguém promete amar outrem, promete esforçar-se por fazê-lo feliz, por alegrar-lhe, por causar-lhe doces surpresas. Não tem nada a ver com gostar. Eu, por exemplo, não gostava de assistir aqueles desenhos bem infantis com os meus meninos, mas o fazia por amor. E é por amor que inclusive lhes estourava pipoca, que levava um refri para beberem, que andava de bicicleta com eles, que empinava pipa… Não faria isso se eles não existissem, pois não gosto de fazê-lo. Mas, por amor a eles — e não porque gosto —, eu faço.

Jesus não gostava das atitudes de Pedro e muito menos das de Judas, mas os amava. Deu a vida por eles, inclusive. Amou-os “até o fim”, como diz em João 13:1. Eu posso não gostar do meu vizinho, de um parente, do cabelo de um colega de igreja, do piercing de um sobrinho, mas devo amá-los com todas as minhas forças. Devo ajudar a esposa a lavar a louça, o motorista a trocar um pneu furado; posso avisar um empresário que o alarme da sua empresa disparou, dizendo a um vizinho que a janela do carro está aberta no tempo chuvoso, etc. Posso não aprovar a vida adúltera daquela colega de trabalho, mas isso não me exime de amá-la profundamente, de orar por ela, de dar-lhe uma carona quando está atrasada, de socorrer-lhe quando está chorando, e não ficar pensando: “Aí, boba, viu? Continue nessa vidinha e você vai ver no que vai dar…” Sabe por quê? Porque o amor não se alegra com a desgraça alheia. O amor é paciente, tudo perdoa, tudo sofre, tudo espera. O apóstolo, ao escrever isso no capítulo 13 da 1ª carta aos Coríntios, sabia o que estava dizendo: ele amava. Amava de verdade, ao ponto de dizer que sofria pelas pessoas como uma mãe sofre nas dores do parto (Gálatas 4:19). Isso é amar. É ir até o fim, como Jesus foi.

O pobre rapaz da nossa historinha estava em dúvida quanto aos seus sentimentos: gosto, não gosto? Me caso, não me caso? O sábio simplificou e foi direto ao assunto: ame-a! Esqueça se gosta ou não e despose-a, amando-a para sempre. Sirva-a, e depois colha os frutos do jardim que você semeou, regou e cuidou. Esqueça os teus sentimentos e despose-a por aquilo que você é — uma pessoa capaz de amar —, e não por aquilo que ela pode lhe dar.

Bem, isso foi o que o sábio disse. A nossa cultura, entretanto, pede-nos que casemos apaixonados. Nada mais justo, claro! Porém, lembre que a paixão passa, e que, se você não tiver amor verdadeiro pelo cônjuge, um dia você pode fazer as malas e sumir. O segredo de uma vida longeva e de paz passa pelo serviço ao próximo. Ou isso ou você terá que constantemente estar se enchendo de penduricalhos e gadgets para preencher a lacuna que a falta de amar deixou em você. O segredo para ser feliz é amar sempre, é cuidar dos outros sempre. Ser amado é bom, mas não é fundamental. “Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho”, já dizia Tom Jobim em sua canção “Wave”. Se Jesus fosse amar-nos por aquilo que lhe damos… misericórdia, não estaríamos nem vivos! Que bom que Ele nos amou primeiro, que morreu por nós antes que pudéssemos Lhe dizer: “Te amo, obrigado!”.

O amor é gratuito. Se não for, não é amor. Por isso dá sem nada esperar.

Que sejam assim os nossos dias na Terra: cheios de amor! Que aprendamos a “desposar” não apenas os nossos cônjuges, mas também os colegas de trabalho, o vizinho, o pastor, o padre, o pipoqueiro da esquina, o porteiro do prédio, o ascensorista. Que tal, por exemplo, comprar-lhes uma barra de chocolate e dar-lhes bem numa quinta-feira à tarde, assim, sem mais nem menos? É, sem nenhum motivo especial, apenas pelo prazer de ver estampado um sorriso no rosto? Não foi por isso que Jesus veio ao mundo? Gratuitamente, sem que lhe fizéssemos nada de especial?

Amar é uma decisão, não um sentimento.

nov
12

Síndrome de Cascão

Não, não havia engano: a pele esbranquiçada denunciava os sinais mais que evidentes da doença que lhe atormentava. A partir de agora, era mais um entre os infelizes portadores do mal sem cura. Logo descobririam que estava contaminado e aí perderia o emprego, a confiança das pessoas, a admiração conquistada através de heroicas batalhas, o respeito dos filhos, da esposa e dos milhares de soldados que comandava.

Sua angústia, entretanto, chegou aos ouvidos da mocinha que já há algum tempo morava com ele. Escrava conquistada numa guerra, a tal falava que a lepra recém-aparecida poderia ser curada não pelos magos do rei, mas por um sujeito que morava num país distante, pessoa grandemente usada pelo Deus em que ela também cria. Naamã — este era o nome do leproso — não pensou duas vezes: mandou selar seu cavalo, carregou outros com inúmeros presentes, reuniu alguns soldados e se mandou.

Longos dias no deserto se passaram até que chegasse ao lugar. Enviou mensageiros com os presentes ao rei e mandou agradecer-lhe antecipadamente pela cura, mas este se indignou de tal forma com a proposta que rasgou suas vestes. “Quem sou eu para curar alguém? Só Deus pode curar! Devolvam já estes presentes ao seu chefe e sumam daqui!”, esbravejou o rei aos mensageiros. Então os soldados foram avisados que não era ele o que curava, mas um outro. Indicado o caminho, foram para lá.

De longe o homem de Deus pressentiu Naamã chegando, e estando o outro ainda à sua porta, mandou seu jovem servo dizer-lhe que Deus o curaria da lepra, bastando que tomasse sete banhos no rio Jordão. “Nunca!”, esbravejou o grande guerreiro. “Por acaso não tenho rio em meu país? Se soubesse que andaria tanto para entrar num rio eu teria entrado num de minha terra!”.

Fez meia-volta e partiu. Seus oficiais, porém, insistiram com ele para que reconsiderasse a decisão e entrasse na água. “Se lhe pedissem altas somas em dinheiro o senhor não pensaria duas vezes. Mas, como se trata de algo fácil, o senhor duvida. Por que não faz o que o bom homem diz, já que estamos aqui?” Fez. Entrou sete vezes no rio e na última saiu limpo, livre da lepra — curado realmente! Deus havia ouvido seu pedido. E o atendeu.

Interessante esta história. Passou-se nos antigos tempos bíblicos e está descrita no Livro dos Reis 5:1. É uma das que mais gosto de ler, porque contém vários elementos que falam muito à nossa vida. Quer ver? Primeiro: Naamã lutava contra Israel, o país do povo de Deus; tinha até uma escrava israelita em sua casa (foi ela quem lhe falou de Deus), e mesmo assim foi abençoado por Ele. Segundo: não creu na palavra da escrava e foi oferecer presentes à pessoa errada, pensando ser o rei o que curava. Não era, e ainda levou um baita xingo. Deus abomina quem o substitui por outrem, mas mesmo assim abençoou o homem. Terceiro: enraiveceu-se com a proposta do profeta e não quis banhar-se no Jordão. Deus fez que não ouviu a infeliz comparação com os rios da Síria e mesmo assim o sarou da lepra.

Este é o nosso Deus. O que era, é e sempre será bom, amável, afetuoso e muito, mas muito paciente com seus filhos, abençoando-nos sempre, malgrado suas malcriações. Portanto, se Naamã fez tudo errado do princípio ao fim e ainda foi abençoado, por que não esperarmos dEle o mesmo tratamento carinhoso? Coragem! Peça e creia que vai receber. Encilhe teu cavalo e se ponha em marcha. Ah, não leve presentes, Deus não precisa de nada! Lá adiante Jesus te espera com um Jordão fresquinho para banhar e curar as feridas do teu dia a dia, sejam físicas, financeiras, emocionais ou de qualquer outra espécie.

Duvida? Naamã também duvidou e ainda assim foi abençoado. Prova de que Deus te ama mesmo, apesar de tudo…

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