Entrarei em férias, por isso o Toque Divino retorna apenas em 14 de janeiro.
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A revista trazia estampado na capa o tema do mês: “Por que você pode perder o emprego”. Li o artigo todo, coloquei-me no lugar de empresários que demitem e dos funcionários que são demitidos. Chamou-me a atenção o fato de quase 50% das empresas brasileiras esconderem do demitido a real causa pela qual o estão mandando embora. De fato, não é fácil falar a verdade, e especialmente num momento em que o funcionário está tão fragilizado pelo choque da situação. Como dizer-lhe que está sendo demitido porque não se relaciona bem com os colegas da empresa? Ou porque, apesar de seus muitos diplomas e cursos, sua fragilidade consiste exatamente em ter muito interesse pelo trabalho e pouco por aqueles que o cercam? Eu mesmo, certa vez, demiti um excelente designer pelo único fato de que vivia num mundo à parte dentro da empresa, criando barreiras intransponíveis de relacionamento. Um bloco de gelo não seria tão frio.
Bem, para ser sincero, o artigo causou-me alegria. Tenho usado o espaço destas mensagens há anos para dizer que uma pessoa vale por aquilo que é — exatamente por ser uma pessoa — e não pelos bens intelectuais ou patrimoniais que possui. Para Deus, um bárbaro criminoso tem tanto valor quanto um honrado e religioso chefe de família, ou um sacerdote ou um pastor ou um grande empresário cristão. A Bíblia indaga: “De que adianta você conquistar o mundo inteiro se vier a perder a tua alma?” [Marcos 8:36]. Há quem dê outra inflexão à frase e a cite assim: “Uma alma vale mais do que o mundo inteiro”. Não é esta razão — a da valorização humana — a mais forte pela qual as cruzadas cristãs dentro das prisões de segurança máxima têm obtido conversões profundas e contundentes?
O afeto está em alta. Nunca se falou nele como agora. Talvez porque nunca foi tão necessário. Para muitos, ser bem tratado por um balconista, gerente de banco ou motorista de ônibus está sendo uma grande novidade. Ficam realmente maravilhados ao receberem informações rápidas e gentis através dos serviços 0-800 de atendimento ao cliente. Mas, é técnico, é marketing, é “para manter clientes”. Não é amor, é apenas um tratamento no nível que a pessoa gosta e exige. Mas, convenhamos, ser bem tratado é uma delícia, não é? Porém, Jesus já falava nisso há 2.000 anos atrás; marketing é só um nome novo para a Sua antiga receita: “Faça ao próximo o que deseja para si mesmo”. Ora, ser bem tratado é uma coisa que todos desejam? Pois que se tratem bem as pessoas, diz o “marketeiro”. Mas, e se alguém dentro da empresa se negar a desenvolver relacionamentos com os clientes ou com os colegas, o que acontece com ele? Vai embora, diz a revista. Sério, não? O mundo ficou tão sem amor e a vida tão sem sentido que hoje as pessoas se veem obrigadas a tratar bem os outros. Ou ganham a conta.
Felizmente, no cristianismo não é assim. Ninguém é obrigado a nada. Todos são livres perante Deus para fazer o que quiserem. Por isso mesmo, diz o apóstolo Paulo, ninguém pode se gabar de ter merecido algo da parte de Deus por suas próprias ações. Se recebeu, recebeu porque Deus é bom. Sem honrarias ou menções especiais. Um João Batista é tão importante para Deus quanto o ladrão convertido na cruz. Ambos se tornaram filhos “por adesão”, isto é, porque se tornaram irmãos de Jesus, o Seu filho. E isto porque Jesus é quem “quebrou o nosso galho” diante do Pai, “limpando a barra” e abrindo-nos as portas para a eternidade.
Daí podemos tirar duas lições. Primeira: se você está meio santo, tipo João Batista, não se preocupe: seu lugar no céu está garantido; e se está mais para o ladrão na cruz — aquele que se arrependeu, e não o que zombou de Jesus — seu lugar também está assegurado, desde que você se reconheça pecador, arrependa-se verdadeiramente de seus maus propósitos e mude de vida. Segunda: a de que nós, que facilmente ficamos impressionados pelo marketing de relacionamento das empresas onde fazemos compras, nem imaginamos o que pode ser a vida com Deus que nos aguarda, uma vez que das empresas recebemos um bom tratamento porque delas compramos, mas a Deus nada demos ou Lhe fizemos para que nos tornássemos dignos de receber algo de Sua parte. Ou seja, partindo dEle, é amor mesmo, gratuito, sem compras ou sem nada a nos pedir ou cobrar. Os criminosos de alta periculosidade poderiam responder: se Deus não os aceitasse porque Ele é bom, por qual razão perdoaria pessoas hodiendas aos olhos da humanidade?
O natal está chegando. E o ano novo também. Aproveite e renove a tua esperança nesse Deus maravilhoso, pondo pra quebrar em 2012. Ore mais, cante mais, confie mais, espere mais, ame mais os que estão à tua volta e faça diferença na vida dos outros: junte um clips do chão; tire os cabelos do ralo do chuveiro e jogue-os na lixeira; apague as luzes quando não houver pessoas no aposento; não estacione em vaga para deficientes ou idosos; respeite a velocidade no trânsito; não pare em fila dupla; deixe que um veículo saindo do estacionamento passe à tua frente; dê a vez no supermercado a alguém que está aflito por causa do horário e tem menos compras na cesta ou no carrinho que você; desligue o monitor do micro quando tocar o telefone; faça silêncio profundo ao ter que ouvir uma pessoa que você não admira e a ouça bem, do teu mais profundo, sem nada falar — coisas assim. Só orar não vai fazer diferença; é o teu agir que mudará a ordem das coisas. Se pessoas furam fila no trânsito ou xingam quem não merece e você faz o mesmo, que diferença você faz? E se muitos apenas falam mal e criticam os outros e você os imita, que diferença você faz? Isso é papel do diabo (diabo = do grego diabolos, acusador).
Deus te ama. E o natal só renova a mensagem bimilenar desta verdade: Jesus nasceu e morreu para que você vivesse em paz aqui na Terra e, quando morresse, fosse feliz no céu. O resto é enganação: papai noel, presentes, árvore natalina… É coisa da mídia, de alguém que um dia, lá num país cheio de neve, que nada tem a ver conosco, inventou para alegrar alguém e a coisa ganhou o mundo. “Ah, Cezar, como você é frio!”, você pode dizer. Bem, pode ser, mas que tudo isso é frescura, isso é. Imagine aparecer alguém na estrebaria onde Jesus nasceu, vestido de vermelho e branco naquele calor horrível, e rir: “Ô, ô, ô”. Ridículo, pra dizer o mínimo. Maria e José olhariam para ele e se perguntariam: “E este aí, de que planeta caiu?”.
Quer dar presente? Dê, pois os três reis deram presentes a Jesus ao visitá-Lo. Vai chorar no fim do ano? Chore, Jesus também chorava. Vai fazer ceia da meia-noite? Faça, mas não se entupa de comida e champanhe, isso não faz bem e você pode passar a noite em claro. Enfim, se é festa o que você quer, festeje. Deus é o maior festeiro que eu já conheci e a Bíblia prova isso com as inúmeras festas que Ele mesmo criou para o Seu povo. Mas, entenda que nada disso é natal. Natal é o amor entre nós, e se a Bíblia diz que Deus é amor e que Jesus veio conviver com a humanidade, então o amor veio nEle e com Ele. E o natal é só isso. O resto é enfeite. Por isso mesmo, não confunda natal com presentes. Natal = Jesus; presentes = papai noel. Há uma enorme diferença. E Deus quer mais que você ensine teus filhos quanto a isso, explicando-lhes a verdadeira diferença entre uma coisa e outra. Ah, notou a palavra “diferença” outra vez? Pois é, você pode fazê-la neste natal e no ano novo inteiro. Basta querer.
O amor está em alta. O afeto, idem. Aproveite pra pôr o teu coração em ordem e abrace, beije, ria, cante, louve, adore quem que te criou, e não apenas no natal e ano novo, mas em 2012 inteiro. Porque Deus está entre nós.
