Dias atrás meditava na passagem onde Jesus ensinava aos apóstolos: “Eu sou a videira e vocês, os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dará muito fruto” [João 15:5]. Jesus falava da videira, a popular parreira, e dizia que nós somos os ramos. Ele, Jesus, está enraizado no solo e é por Ele que os nutrientes chegam até nós, os ramos, os quais depois darão frutos. No capítulo 11 do livro de Romanos o apóstolo Paulo coloca a situação em termos de oliveira boa (cultivada) e má (brava), sendo que a primeira, Jesus, recebe o enxerto da segunda, a humanidade com seus pecados — e assim somos enxertados nEle. Desta forma, com o tempo a oliveira boa, que é maior — pois é a árvore principal — passa a injetar sua seiva no pedaço da oliveira brava anexada, que é menor, tirando suas toxinas e mudando-a em um ramo que produz muitos frutos.
Interessante notar que a oliveira brava não contamina a boa; ao contrário, esta última é quem perde suas características, ficando igual à boa. Falando mais objetivamente: nossas maldades e pecados não são suficientes para contaminar Jesus; antes, é Ele quem nos injeta Sua seiva e nos transforma nEle. E isso não é complicado ou difícil. Mas, tal enxerto, lembre-se, não vem escrito na certidão de nascimento que lhe deram quando você nasceu. É necessário uma opção clara de adesão a Ele, saindo da posição onde você se encontra e enxertando-se nEle.
Quando você aceita Jesus como salvador da sua vida e entrega-se a Ele, está literalmente cortando relações com o mundo pecaminoso. Os laços que uniam você às bebedeiras, à mentira, às negociatas fraudulentas, à sonegação, à violência e a tudo que o tornava inimigo de Deus, são rompidos. Como balão cheio de ar que se desprende do solo, você alça novos voos e fica cada vez mais distante das coisas que não são para aproximar-se daquelas que são. Você agora é dEle. Faz-se necessário, então, revitalizar a vida que você vivera até agora. Por isso Ele “anexa” você a Si mesmo, adota-o de forma 100%, corta a casca da oliveira (ou videira) que Ele é, corta um pedaço de você e lhe cola nEle. Pronto, você agora é parte de Jesus. E aos poucos a Sua seiva doce e regeneradora vai entrando em você e transformando-o numa nova árvore, numa nova criatura, numa nova pessoa — num filho de Deus. E você, que antes só falava e pensava bobagens, agora já não fala mais; que antes agia sem pensar e sem bom senso, agora o faz com prudência e dá exemplo de muitas virtudes; que antes não era, agora passa a ser. Ou seja, passa a existir verdadeiramente, e não apenas na Terra, mas também nos céus. Quando você aceita que Jesus dirija a sua vida, você passa a ter o seu nome escrito no Livro da Vida. Antes não constava lá; agora consta. Leia Apocalipse 3:5, se desejar; ali explica tudo.
Porém, já aviso de imediato, não adianta ter pressa. É, não adianta! Porque a seiva vai entrar devagar no enxerto que é você, e bem devagar. Esqueça esse lance de querer mudar o jeito de ser do dia pra noite, isso não existe. Quem dá as ordens é ela, a videira; você é apenas um pedaço de uma árvore que não produzia e foi anexado a uma planta muitas vezes maior, melhor e mais forte que você. Então, é ela quem decide; ela é quem o transforma, a seu tempo. Por isso Moisés ficou 40 anos no deserto esperando pelo chamado de Deus para tirar o povo do Egito: para que esquecesse de seu glorioso passado faraônico e se tornasse simples, manso e humilde. Demorou, mas deu certo. Pedro, o apóstolo atirado e nervoso, também demorou um tempão para acalmar seu temperamento e adequá-lo ao de Jesus (jogou-se no mar intempestivamente para caminhar sobre ele e afundou, falava pelos cotovelos, prometia o que não podia cumprir e traiu Jesus negando-o três vezes). Lembra de Mateus, o cobrador de impostos, também chamado de Levi? Você crê mesmo que um tirano como ele, que se voltou contra o próprio povo e passou para o lado dos inimigos romanos iria mudar de um instante para o outro? E quando você lê as três cartas do apóstolo João e nelas encontra palavras doces como “filhinhos”, “caríssimos” e “amados”, não imagina que o evangelista Marcos antes o chamara de “filho do trovão”, não é? O que isso quer dizer não sei, mas não deve ser coisa boa. E o apóstolo Paulo, então? Deus permitiu-lhe ficar anos encarcerado, mas foi de lá que ele escreveu as belas “cartas da prisão”, que é como nós chamamos algumas delas.
Entendeu o porquê de Deus não ter pressa? Ele é paciente. Por isso não adianta querer rapidez na conversão, pois seria o mesmo que pegar uma plantinha e puxá-la para cima a fim de que cresça mais rápido. “Meus pensamentos não são os vossos pensamentos”, diz o Pai celestial [Isaías 55:8]. Para Ele, importa que você, ramo enxertado, não apenas dê frutos, mas dê bons frutos. Ele sabe que você é oliveira brava, mas Seu remédio é infalível: enxertando-nos em Si, faz Seu sangue correr em nossas veias, e lentamente a cachaça, o uísque, a nicotina, as doenças físicas, as imagens eróticas que poluíram o cérebro, os pensamentos negativos, as depressões e outros que tais vão sendo absorvidos por Jesus, que a tudo faz novo, que a tudo regenera e que a tudo santifica. Após um certo tempo, o cérebro começa a pensar diferente, o corpo recebe os novos e saudáveis estímulos e passa a se comportar de forma adequada, trazendo alegria e leveza de viver. E por que alegria e leveza de viver? Ora, por uma razão muito simples: embora o Santo dos santos seja a videira, sustente você e o mantenha ligado à fonte da vida, Ele lhe permite ser você mesmo todo o tempo e produzir e sustentar os doces cachos de uva. É, você mesmo… Note o final da frase: “Eu sou a videira e vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dará muito fruto.” Quem vai gerar o fruto é você. E também a sombra para que os sedentos se sentem no chão e se deliciem em paz com os frutos que você produziu. Puxa, quer coisa melhor? Tua vida de pau-de-arara ou palanque de banhado ganha nova expressão, sentido e produtividade. O que antes nada era, depois de enxertar-se passou a produzir sombra, uvas e todos os sucos, geleias, doces e gostosuras que advêm da videira Não é para se sentir honrado? Entende agora a razão dos dons espirituais, como o de cura, de profecia, de visão, etc.? Quem os dá é Deus, mas você é o instrumento, a ferramenta que o pai usa para ajudar o outro. E se quem foi curado se alegra, imagine então você.
E aí vão atirar-lhe pedras. Mas, saiba, só se atiram pedras em árvores que dão frutos; ninguém apedreja um cinamomo, por exemplo. Por outro lado, se você nada sofre, é porque está do jeito que o diabo gosta: você nada faz que o incomode, então ele não lhe perturba. Cristão que não sofre é o que já morreu; os demais — eu, você, nós, eles — teremos de lutar até o último instante de nossas vidas para permanecermos com ânimo e fiéis à videira. Se nos desligarmos dela, o ramo perderá o viço e secará. Aí, diz Jesus, ele para nada mais serve, a não ser ser cortado e jogado no fogo [Mateus 3:10).

Da próxima vez que você vir um cacho de uvas, lembre que ele existe somente porque um ramo estava ligado à videira e o gerou. Qualquer outro que não nasceu assim é fruto falso, artificial, imitador do original, e desses há muitos por aí, e até que se escondem bem em meio aos naturais. Agora, se você quiser ser um fruto bom e consistente, então se ligue na videira verdadeira. Não é em qualquer videira, tem de ser na verdadeira. Aí, não tem erro: por pior que você seja, ela o transformará inteiramente, fazendo de você uma nova criatura. Porque se Jesus perder pra você, vai empatar com quem? Então, sossegue. Por pior ramo que você seja — tipo ácido, até mesmo um tanto apimentado — aos poucos Jesus lhe transformará em alguém de muito valor. Basta olhar o preço de um champanhe Veuve Clicquot para convencer-se rapidinho.