Desejando encorajar o progresso de seu pequeno filho ao piano, sua mãe levou-o a um concerto de Paderewski. Depois de se acomodarem, a mãe viu uma amiga na plateia e foi saudá-la. Tomando a oportunidade para explorar as maravilhas do teatro, o menino pôs-se a caminhar e suas andanças rapidamente o levaram a uma porta onde estava escrito “ENTRADA PROIBIDA”. Quando as luzes diminuíram e o concerto estava prestes a começar, a mãe retornou ao seu lugar e descobriu que o garotinho não estava lá. De repente, as cortinas se abriram e as luzes caíram sobre um belíssimo piano Steinway no cento do palco. Horrorizada, a mãe viu seu filho sentado ao teclado, inocentemente tocando as notas de “Cai, cai, balão”. E foi justo naquele momento que o grande mestre fez sua entrada, debaixo de muitos aplausos. Rapidamente, dirigiu-se ao piano e sussurrou ao ouvido do menino: “Não pare, continue tocando”. Então, debruçando-se, Paderewski estendeu sua mão esquerda e começou a preencher a parte do baixo. Logo colocou seu braço direito ao redor do menino e acrescentou um belo acompanhamento à melodia. Juntos, o velho mestre e o garotinho transformaram a canção infantil. Ficou soberba! De um instante para outro, a situação deixou de ser embaraçosa para tornar-se uma experiência maravilhosamente criativa. O público, numa mistura de sentimentos que iam do perplexo ao maravilhado, irrompeu em aplausos. Não é fantástico?
Assim é Jesus conosco. Olha a nossa vida e vê que a conduzimos como o menino ao piano: de uma forma esforçada, mas fraca. E então vem ajudar-nos e a coisa melhora. E essa “coisa” pode ser tanto uma melodia como a sua vida, tanto seus sonhos como seus projetos. De fato, aquilo que prometia ser uma tragédia — uma criança tocando música infantil num concerto de grande relevância — acabou transformando-se numa obra-prima, num momento de raro prazer. A vida que você leva também pode ser mudada. Se não, por qual razão Deus teria enviado Jesus ao mundo?
Não desanime se você anda “desafinado”. Ou se a música da tua vida, em vez de uma valsa vienense, virou um sambão de fundo de quintal. Saiba, o desânimo não vem de Deus. Ele quer mais é ajudar-lhe a conduzir as notas da melodia, e não que você saia correndo do palco. Entenda por “palco” a vida, e por ator, você. Portanto, não é necessário fugir ou pensar que a musiquinha que você toca — refiro-me às coisas que você faz, ou aos dons que possui — não serve para nada. Aquilo que inicialmente é anunciado como tragédia, pode perfeitamente terminar em fortes aplausos. Lembra do ladrão na cruz? Nossa, o cara foi mal, muito mal. Acabou condenado e pregado ao lado de Jesus. Porém, a previsão de ele perder tanto a vida daqui como a do céu não se confirmou: foi-se apenas a terrena, pois no mesmo dia ele estava com Jesus no paraíso.
Quem sabe você está se achando medonho? Ou então perdeu a autoestima? Bem, faça como o garotinho: deixe o Maestro dos maestros, o Condutor dos condutores tocar sua vida com você. Não é POR você, é COM você. Ele não tocará sozinho, não lhe mandará sair da banqueta; ao contrário, dirá: “Fique. Não pare, continue tocando”. E tocará com você, dia após dia, ano após ano, a sinfonia da tua vida. Como Paderewski, chegará de mansinho, começará a tocar com uma mão, depois envolverá seus ombros com seu braço amigo e, por fim, tudo terminará numa bela apresentação. Bem, aí você pode novamente dizer: “Mas sou feia, sou pavio-curto, minha empresa quebrou, sou incompetente, sou divorciado, ninguém gosta de mim, tenho espinhas na ponta do nariz e meu cabelo entorta ao dormir”. Certo. Mas então, por qual razão o “Cai, cai, balão” ficou bonito e o público aplaudiu em pé? Existe “Cai, cai, balão” bonito? Digo “bonito” ao ponto de ser tocado em uma noite de gala? Não, não existe. Foi necessário alguém melhor, mais experiente, aliar-se ao menor para que a coisa desse certo.
Creio de todo o coração que realmente não importa como é a canção da tua vida — triste, alegre, infantil ou fenomenal —, mas ela só irá melhorar nas mãos de Deus. Como dizia João Ribeiro em uma das primeiras citações da Frase do Dia: “Não há campo tão despido e pobre que não se adorne vez por outra de flores, nem floresta tão erma e ao desamparo que não tenha as suas filomelas”. Com Deus, essa frase tem resultado garantido: se ele disse que transformaria a vida daqueles que nele creem, então ele o fará. Por isso, não desista, mesmo que você ache horrível a sua performance. Chame Aquele que está doido para mostrar que sabe tocar bem e ponha-o ao seu lado. Sinta-se confortável e seguro, tendo a seu favor o melhor concertista que já pisou neste mundo. E deixe a vida rolar até o fim.
Então, não tente fazer as coisas sem Deus, não dará certo. Também não se iluda, ter Deus ao seu lado não significa viver num mar de rosas ou dormir num colchão forrado de dólares. Todos sofrem — uns mais, outros menos; mas, todos sofrem. O fato é que muitos cristãos escondem as suas dores, notadamente quem está à frente de um ministério, e aí pensa-se que ser cristão é = ser feliz, quando felicidade mesmo não existe, é apenas invencionice do diabo. Sofrer faz parte da vida. Tente apenas viver em vez de buscar a felicidade, quem sabe a dor diminuirá. Porque dói buscar uma coisa que não existe. A gente sempre se frustra, pois nunca a encontra. Felicidade mesmo é só quando estivermos no céu, ao lado do Perfeito. Jesus chorava, sofria e chegou até a dizer que estava angustiado até a morte [Mateus 26:38]. E era Deus. Então, vivendo aqui na Terra, sempre teremos dores.
Jesus também disse: “Sem mim, nada podeis fazer” [João 15:5]. Descanse, portanto. Tire uns momentinhos por dia, logo ao acordar, e entregue os teus fardos, o teu dia, as tuas necessidades para ele cuidar. “Vinde a mim, vós que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” [Mateus 11:28], ele insistiu. Por isso, peça ajuda. Não toque sozinho. Não insista, vai virar no samba do crioulo doido; e a tua vida é longa, você ainda tem uns bons anos pela frente. O projeto de Deus para você não é um sucesso passageiro como “Ai, se eu te pego”, mas uma longa sinfonia onde muitos estão envolvidos.
Se é para viver, então vivamos. Se é para tocar, então toquemos. Mas tenhamos um Paderewski — Jesus — ao nosso lado. Tocando com ele, nossas notas nem serão percebidas. E os aplausos dedicados a ele também serão para nós.
